SEGURANÇA PATRIMONIAL – NECESSIDADE DE MUDANÇA

Autor:  Alex Rezende

Analista de Segurança Empresarial, Consultor e Palestrante em Gerenciamento de Riscos / Segurança Patrimonial, Graduado em Gestão de Segurança Privada e Pós Graduado em Gestão de Pessoas e Instrutor credenciado pela Policia Federal.

A Segurança Patrimonial tem vivido um grande dilema nos últimos anos, que talvez defina em uma só palavra: NECESSIDADE. Por que é necessário ter Segurança Patrimonial? Por que é tão caro? Por que não é valorizada como deveria? Essas e outras perguntas vamos tentar responder neste artigo.

Quando falamos em Segurança Patrimonial, é porque existe a necessidade de proteger algo ou alguma coisa, portanto é mais cômodo, pra não dizer mais fácil, terceirizar este trabalho, haja vista que ele ocorre 24 horas por dia 7 dias por semana, na maioria das vezes, portanto, um empresário contrata uma empresa de segurança para proteger seu patrimônio, e em outras palavras, se livrar dessa preocupação, transferindo o risco para a mesma. Mas isto custa caro, geralmente é o que acham os “Sponsors” por ai.

Contratar uma empresa de segurança é muito mais do que transferir o risco, podemos dizer que seria assumir o risco, porém de outras formas, vamos tentar analisar o contexto partindo do profissional de vigilância – O Vigilante. Quando alguém porventura de idade mais avançada, sem profissão especifica, entre outros, se encontra desempregado, muitas vezes ele opta por ser vigilante, sendo assim, desembolsa uma quantia não muito alta, e em aproximadamente 20 a 30 dias, forma-se vigilante e parte para o mercado de trabalho, já que a taxa de desemprego na área é baixa, se comparada a outras áreas, ou seja, a probabilidade de ser empregado é em torno de 70% em média.

O grande problema está justamente neste ponto: As pessoas se tornam vigilantes e não são realmente, existe uma proporção de 10 para 03, ou seja, a cada 10 formados, apenas 03 optaram pela profissão por gosto, sendo assim, 07 desses formados estão apenas procurando emprego, portanto, aquele empresário que contrata a empresa de segurança para proteger seu patrimônio tem uma grande probabilidade de colocar em sua empresa um vigilante terceiro que está ali para não ficar desempregado, e não porque gosta de sua profissão, em outras palavras, não vai proteger seu patrimônio, por isso ele assume o risco ao invés de transferi-lo. Entendendo de outra forma e agravando o processo, ele contrata uma empresa que vai implantar um posto com pessoas (em maioria) que não se importam com seu patrimônio, que estão na sua empresa 24 horas por dia, 07 dias por semana, conhecem os procedimentos e os “gaps”, tem acesso a informações de cunho restrito como nomes, endereços, telefones, etc… E você empresário, muitas vezes não sabe nem o nome deste profissional. Percebem a gravidade? Como resolver isso?

Acredito que para mudar este cenário, é necessário agir na raiz do problema, ou seja, na formação! O curso deveria seguir padrões militares, o formando deveria ser posto a prova a todo o momento, para se formar, deveria merecer, e não da forma como é hoje, que ele se inscreve, paga, e se forma, estando apto ou não, infelizmente é uma dura realidade.

Mudando a formação, o segundo passo seria remunerar melhor a área, o profissional de segurança ganha pela responsabilidade que tem e não pelas funções que executa. Atualmente o vigilante na maioria das vezes trabalha em uma escala 12×36 (dia sim / dia não) e tem baixa remuneração, sendo assim a grande maioria trabalha em duas empresas, ou seja, dia em uma, dia em outra, com isso ele aumenta sua renda, mas gera outro problema: Ele nunca tem folga, fatalmente ele vai precisar ir ao médico algum dia ou terá um problema pessoal para resolver, entre outras situações e nesse dia, vai faltar. Sua falta ocasiona uma cobertura, custo, deslocamento, irritação do cliente, e muitas vezes, por falta de um gestor de segurança que “trabalha sua equipe”, o empresário solicita que a empresa de segurança subsitua o vigilante que faltou, aumentando assim o turn-over, fragilizando sua equipe, aumentado à fragilidade física e várias outras ações decorrentes desta substituição.

O vigilante que foi substituído por sua vez, não concorda com a substituição, pois sempre trabalhou dentro das normas e foi substituído porque precisou faltar, irá certamente mover uma ação trabalhista contra a empresa de segurança e a empresa que prestou serviço como vigilante. Existe uma demanda gigantesca de ações trabalhistas de vigilantes nos fóruns trabalhistas de todo pais, e esse é um dos grande motivos. É literalmente uma bola de neve.

A área de segurança necessita de profissionais engajados, preocupados com a tarefa que lhes foi atribuída. Independente da função que ocupe, a atenção é mera prioridade, não dá para ser no achismo. O custo é alto, mas o investimento vale a pena se for feito com cautela e visão de futuro.

 

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