Roubos de carga no estado já causam aumento de até 20% nos preços em supermercados

Os criminosos roubam as cargas, e o consumidor paga a conta. Segundo a Associação de Supermercadistas do Rio de Janeiro (Asserj), a explosão desse tipo de crime no estado, com quase dez mil ocorrências só no ano passado, já causa reflexos na boca do caixa. A estimativa é de que a alta do preço dos produtos mais visados pelos bandidos, em especial as carnes e bebidas, chegue a até 20%.

— Cada rede lida de uma forma com essa questão. O mais comum é que o repasse do preço aconteça diretamente nesses produtos mais roubados, mas temos uma rede, por exemplo, que dilui o prejuízo em todos os valores que cobra — explica Fábio Rossi de Queiróz, presidente executivo da Asserj, que conta com cerca de 300 associados, em um total de 1.600 lojas.

Durante assalto no Arco Metropolitano, via é fechada e motoristas se escondem de tiros sob carretaDurante assalto no Arco Metropolitano, via é fechada e motoristas se escondem de tiros sob carreta Foto: Cléber Júnior / Extra / 17-02-2017

A média de um roubo de carga a cada 54 minutos, registrada em 2016, como mostram dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), implica uma série de custos adicionais para empresários, transportadoras e comerciantes. Há aumento no preço do seguro, nas taxas de locomoção e em outras questões logísticas de modo geral. Além, claro, dos investimentos em segurança, que mesmo assim se mostram incapazes de garantir a chegada dos produtos incólumes a seus destinos.

— Algumas seguradoras já nem fazem o contrato. Aí, arcamos sozinhos com o prejuízo. Até tentam colocar mais dinheiro na segurança, mas tudo acaba repassado para o consumidor final. Não tem jeito — confirma Venâncio Moura, coronel reformado da Polícia Militar e diretor de Segurança do Sindicato das Empresas do Transporte Rodoviário de Cargas e Logística do Rio de Janeiro (Sindcargas).

 

Assalto no Arco Metropolitano deixou um segurança morto nesta última sexta-feiraAssalto no Arco Metropolitano deixou um segurança morto nesta última sexta-feira Foto: Cléber Júnior / Extra / 17-02-2017

Sem culpa, clientes reclamam

Na saída de um supermercado no Centro do Rio, na tarde de anteontem, os amigos Bruno Amaral, de 36 anos, Daiana Matos, de 26, e Marcos Drummond, de 50, carregavam um sem fim de sacolas. Proprietários de barracas na Cidade do Samba, o grupo acabara de comprar vários produtos, sobretudo carnes de diversos tipos, com o intuito de revendê-las durante o ensaio técnico deste fim de semana. O preço, porém, não agradou.

— Gastamos, ao todo, pelo menos R$ 500 só com essas carnes. Não fosse essa diferença no preço, talvez sobrassem uns R$ 100, e é um dinheiro que faz muita falta, ainda mais em tempos de crise. Seriam mais dez pacotes de frango, digamos — reclamou Marcos, antes de arrematar:

— A culpa pelos roubos de carga é da segurança pública, não do consumidor.

Já Antonio Gomes, de 32 anos, dono de dois bares, deixou o mesmo estabelecimento com nove caixas de uma cerveja artesanal. O prejuízo estimado vinculado aos roubos de carga, no caso do comerciante, até é menor, de aproximadamente R$ 50, mas nem por isso menos lamentado:

— Justo não é. Não deveria sair do nosso bolso, né?

A Polícia Civil disse que as delegacias têm feito trabalhos de inteligência para identificar e prender as quadrilhas de roubo de carga.

Fonte: http://extra.globo.com/casos-de-policia/roubos-de-carga-no-estado-ja-causam-aumento-de-ate-20-nos-precos-em-supermercados-20948084.html 

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