A Relação do Crime Organizado no Brasil com Grupos Terroristas Internacionais

Autor: 

Security & Crisis Management

Em 2005, ao apresentar minha dissertação de MBA sobre o risco do uso de tecnologias da informação na ação de espionagem industrial, fui considerado um sujeito que estava viajando…

Já em 2008, ao publicar um livro sobre Gerenciamento de Crises Corporativas, alguns executivos classificaram o livro como algo irrelevante para as organizações. Assunto nada importante para a Governança Corporativa.

Ano passado, apresentei uma proposta de pesquisa em um processo seletivo para o curso de mestrado em uma universidade tratando desse assunto. Um grande amigo disse, antes mesmo de eu fazer qualquer prova que, com esse tema eu dificilmente seria aceito naquela instituição. O que vocês acham que aconteceu??

Agora em 2017, depois do grampo JBS, desastre na boate Kiss, incêndio em Santos, muitos pegam carona com muita maestria nestes assuntos. Isso é muito bom, pois significa que minhas teses e linhas de raciocínio estão no caminho certo e, consegui, ajudar a difundir esses assuntos no mercado brasileiro. Afinal como disse Mandela, “Eu nunca perco, ou eu ganho ou eu aprendo!”

Defendo a algum tempo a ideia de que Grupos terroristas internacionais já estão instalados no Brasil, utilizando a estrutura das facções criminosas locais, uma espécie de terceirização da mão-de-obra local – e isso já aconteceu a algum tempo. Não estou falando em algumas coincidências, estou falando em intercambio e/ou até mesmo “franquias” de grupos como Estado Islâmico, Al-Qaeda com os grupos criminosos brasileiros.

Toda guerra, precisa de recursos financeiros para manter suas operações e sua  logística. No principal teatro de guerra atualmente – Oriente Médio e alguns países da África, as forças de coalizão destroem a estrutura logística desses grupos assim que a inteligência mapeia e identifica o centro nervoso logístico. Em um ato de desespero, os terroristas apelam até mesmo para o famoso escudo humano para proteger esses depósitos de armas, produtos diversos e até mesmo dinheiro.

Mas seguindo uma lógica, por que arriscar tudo em um local onde é vigiado e monitorado 24 horas por dia? Por que não instalar a origem do dinheiro em locais fora dos holofotes do principal teatro de guerra e da mídia internacional?

 Será que realmente, países da América do Sul ainda não estão sob uma atuação de grupos terroristas internacionais? Bem, se for verdade que o objetivo principal do Estado Islâmico seja de que todo infiel seja convertido ou morto, dificilmente acredito que a América do Sul esteja fora dos planos deles!

Enquanto isso no Brasil…

Os grupos criminosos no Brasil, estão alinhados com “as melhores praticas internacionais do terror”- triste, mas verdade! Isso é fato e, todo agente de segurança publica sabe disso! E digo mais, estão até exportando know how!

Os grupos funcionam como verdadeiras empresas – com organograma, cargos e salários, programas motivacionais, plano de carreira, benefícios e tudo mais.

E, assim como em uma organização privada – diferentemente do estado, as coisas funcionam de forma mais rápida e objetiva. Eles tem metas a cumprir! Eles tem objetivos a curto, médio e longo prazo – um verdadeiro Plano de Negócio!

Empresas estão deixando o Rio de Janeiro, impactando diretamente a economia do estado. Empresas estrangeiras, estão deixando de investir no Brasil, devido a falta de segurança publica no país. A policia não consegue combater, (não por falta de vontade ou falta de técnica, mas sim por falta de dinheiro –simples assim). E o pode acontecer? Bem, você pode olhar para o Haiti para obter essa resposta!

A guerra no Rio de Janeiro, esta longe de ser um simples problema de violência urbana. Pode ser para quem mora em São Paulo ou em Minas Gerais, mas para quem mora em uma comunidade dominada pelo trafico, vivendo diariamente com tiroteios, a sensação é a mesma de quem vive em Aleppo na Síria ou em Mosul no Iraque.

As FARCs ou IRA, abandonando a luta armada e entrando para a politica, é o novo braço e apoio do ao terror! A parte operacional nunca deixará de existir, mas luta agora é com caneta e roupa social!

Fatalmente, sua empresa para tentar sobreviver e ter um pouco de segurança, recorrerá a uma empresa de segurança privada, mas essas, também ficam de braços atados, pois enquanto um bandido opera com um fuzil M16 e pistola 9mm ou .45, o vigilante esta equipado com um revolver calibre .38 ou uma pistola .380 e se tiver sorte, uma espingarda calibre 12, pois essa é a regra para as empresas de segurança que apoiam a luta contra o crime aqui no Brasil.

O que é mais efetivo, uma lei que restringe ou até mesmo anula a luta contra o terrorismo ou recrutar 15 mil combatentes em uma comunidade pobre? Digo que as duas estratégias nunca serão descartadas.

“…O sistema financeiro brasileiro, possui regras para o combate a Lavagem de Dinheiro e Financiamento do Terrorismo – PLD/FT, (veja mais emhttp://www.coaf.fazenda.gov.br/menu/pld-ft/financiamento-ao-terrorismo)…”

O estado insiste em dizer que investe e luta contra o crime, mas a cada novo dia, novas noticias de que, os nossos policiais e soldados não possuem sequer munição, ou verba para consertar viaturas aparece na mídia. Como você acha que esse policial irá combater grupos fortemente armados e financiados?

… E a sua empresa?

Você realmente sabe o quanto o seu negócio esta exposto a esse risco e a essa ameaça? Cliente, produtos, processo de fabricação? Tudo! Você realmente sabe o quanto você poderá ser impactado com esse cenário?

Mesmo uma empresa de segurança privada, sabe o quanto a falta de insegurança e a ação de grupos terroristas poderá causar em seus negócios?

Será que os treinamentos, a inteligência, os armamentos e conscientização dos colaboradores estão acompanhando a evolução dos novos cenários?

A sua empresa, contrata por contratar ou contrata com consciência dos cenários analisados?

Sempre acreditei na integração do estado com a iniciativa privada (parceria, não estatização)!

Sua empresa esta prontas com:

– Planos de Segurança;

– Planos de Continuidade dos Negócios;

– Planos de Gerenciamento de Crises e Emergências

– Planos de Comunicação Interna & Externa;

Sua empresa realiza treinamentos, testes, simulados, programas de conscientização?

Veja que isso é uma disciplina que, não pode ser tratada simplesmente como um tópico de reunião, metas ou sei lá o que?!! Esse assunto necessita de uma governança e acompanhamento direto dos executivos e acionistas.

O crime organizado sempre utilizará métodos de grupos terroristas para expandir seus negócios e, os grupos terroristas sempre utilizarão os métodos do crime organizado para capitalizar suas ações, recrutar pessoas e até mesmo operar dentro de um país… isso é fato!

Sua empresa, não tem poder de policia, mas tem o dever de pensar em proteger seus ativos, seus colaboradores e seu negócio!

#Staysafealways

Ricardo Giovenardi é especialista em Inteligência Competitiva, Estratégica & Antiterrorismo pelo IMI Academy for Advanced Security & Antiterror Training em Israel , Gerenciamento de Crises para Grandes Eventos – no The Advanced Law Enforcement Rapid Response Training (ALERRT) e SWAT de Miami DADE. Instrutor de armamento e tiro credenciado pela Policia Federal do Brasil, formado em Processamento de Dados, MBA em Gestão de Tecnologia da Informação e Internet e Pós-graduação em Gerenciamento de Crise – Emergência e Desastre. Certificado pelo BCI – Business Continuity Institute. Atuou em projetos de segurança e gerenciamento de crises em empresas de diversos segmento no Brasil e exterior. Foi responsável pela elaboração das estratégias de contingência e gerenciamento de crises para um grande patrocinador da COPA DO MUNDO FIFA BRASIL 2014. Palestrante no curso de Inteligência Estratégica na ADESG Campinas – disciplina de Gerenciamento de Crises e Continuidade de Negócios, professor universitário e autor do livro Gerenciamento de Crises Corporativas.

Fonte: https://www.linkedin.com/pulse/rela%C3%A7%C3%A3o-do-crime-organizado-brasil-com-grupos-giovenardi-mba-mbci

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